domingo, 1 de setembro de 2013

[Primeiras impressões] Donyatsu: gatos, doces e uma Tóquio pós-apocalíptica.


Bem, hoje farei uma recomendação de um mangá em andamento, o qual chamou minha atenção pela premissa "estranha" e sem muita pretensão aparente. Destaco aparente, pois consegui visualizar um potencial latente nesta obra, mas vamos lá.

De forma resumida, Donyatsu nos trás a saga de um gato, chamado Donyatsu, o qual possui um corpo feito de rosquinha e suas peripécias na cidade de Tóquio devastada. É isso...bizarro. Donyatsu tem sido serializado mensalmente desde 2011, possuindo em média 12 páginas por capítulo, na revista voltada para a demografia seinen Young Gangan, lar de Arakawa Under The Bridge, Mononoke e Bitter Virgin, sendo obra de Yuusuke Kozaki e segundo informações, é sua primeira obra própria, contudo já trabalhou no character design de Speed Grapher entre outras obras.


Resumindo de forma mais adequada, Donyatsu (estou me referindo ao gato, não à obra) acorda misteriosamente na cidade de Tóquio, a qual, como já dito, estava totalmente devastada, não sabendo nada sobre o ocorrido, nem mesmo sabendo que é um gato feito de rosquinha, o que leva a crer que havia sido um humano pelo o que eu pude deduzir, juntamente com o fato de que os personagens terem memórias sobre assuntos humanos. 

Enfim, o pobre gato não encontra nenhum humano, vivo, pois ossadas são abundantes e pelas posições mostram que morreram repentinamente, como andando de bicicleta por exemplo. Explorando a cidade, enquanto brinca com um crânio, Donyatsu se depara com outro gato em forma de rosquinha, Bagel. Outro ponto relevante, é que eles não sabem os seus nomes, tanto é que Donyatsu foi um nome dado por Bagel que possui uma personalidade descontraída e um senso de humor um tanto negro formando logo uma dupla com Donyatsu o qual também possui uma personalidade alegre, no entanto um tanto infantil e ingênua.



Ambos resolvem andar juntos e continuam explorando Tokyo, quando entram em um prédio em forma de castelo, o que quase custou suas vidas, pois era o quartel general dos Machumalows, ratos feitos de marshmallow e que não são nada amistosos, muito pelo contrário, tentam devorar ambos os gatos/rosquinhas, até mesmo retiram um pedaço das costas de Donyatsu (é notável a capacidade de regeneração de tais gatos, que podem se recuperar de tais ferimentos com um bom descanso). Então, ambos fogem desesperados e recebem a ajuda de outro gato, o professor Baumkougar, apelidado como Baum simplesmente. Após este incidente, os três acabam morando em uma casa encontrada pelo professor Baum, e enfim, posteriormente nos é retratado o dia a dia deles, com a chegada gradual de novos amigos, como o urso Kumacaroon (um urso que é também um macaroon, uma espécie de doce), meio tapado e aficionado por mangás e uma gata, Ronya, feita de rocambole, que parece uma adolescente fútil e não muito esperta, e tsundere por sinal.

Neste ponto o mangá se torna um slice-of-life bem humorado, no entanto com uma aura de mistério em torno deles, como o que são, ou se eram humanos, quem os transformou nestas criaturas? Quem são os Machumalows e porque possuem o ardente desejo de devorar e acabar com todos os animais/doces? É possível traçar um amontoado de teorias, talvez um experimento alienígena? Ao encontrar um mecha, professor Baum afirma categoricamente que não se trata de tecnologia humana. Quem sabe, enquanto não sair mais capítulos só é possível tecer teorias.

Há outros personagens secundários aparecendo ao longo dos capítulos fora do núcleo principal, como dois cachorros que são bem, não sei o que são, parecem bolinhos, que formam uma dupla estranha, um deles por sinal, é um ás na cozinha. Também é relevante um porco que possui a forma de um doce com forma de estrela, o qual ajuda Donyatsu a fugir de uma situação de risco e depois desaparece.

Em apenas 18 capítulos lançados já é possível perceber a presença de certas forças alienígenas, com direito a uma nave espacial em forma de rosquinha talvez... e o mais incrível, um mecha, chamado casualmente de Robosaki! o robô gigante foi encontrado pela turma e logo se tornou amigo, protagonizando momentos muito divertidos. Sem falar nos sonhos de Donyatsu, onde encontrou outro Donyatsu com cores contrastantes. Também é digno de nota os esforços do doutor Baum em encontrar algum humano vivo através da utilização de computadores e rádios.
Vi algumas comparação do mangá com o desenho Hora da Aventura, que também, embora possua uma aparência cômica e infantil, esconde certos subtextos, notadamente por viverem em um mundo pós-apocalíptico. No entanto, ao contrário de Donyatsu, em a Hora da Aventura, tal informação é um tanto oculta, podendo ser observada quando, ocasionalmente, alguém se dá conta de uma cidade destruída debaixo d'água.
O humor presente na obra não é nada para cair no chão de tanto rir, mas não decepciona pela diversão, notadamente que o humor não é o único atrativo do mangá, o qual também possui um tom de mistério que me cativou de certa forma, pois considerei a premissa de Donyatsu promissora e quem sabe ao fim, teremos uma boa obra em seu contexto geral.

Donyatsu propõe cenas muito divertidas e instigadoras, como quando o Donyatsu brinca despreocupadamente girando um crânio, ou quando recebemos uma aula magistral acerca de astronomia dada pelo professor Baum. Destaque para a interação com o mecha, quando eles pedem para ele falar de forma mais casual começa a falar em gírias ou quando brincam de jogo das palavras, chamado shiritori, onde cada um dos participantes tem que dizer uma palavra que começa com a última sílaba da palavra dita pelo jogador anterior e quem não conseguir dar continuidade com o jogo leva um peteleco, no entanto, no contexto foi algo aterrador, pois todos estavam aterrorizados com a possibilidade de levar um peteleco de um robô gigante.

A arte do mangá é muito bem feita, os animais, embora não sejam muito detalhados passam um carisma único ao leitor. O destaque fica para o detalhismo do mundo ao redor, com uma riqueza de detalhes que causa um contraste interessante com as criaturas, como por exemplo, a cidade destruída, as construções, os corpos, um tanque de guerra destruído e o mecha, que por sinal ficou muito bem feito.
Neste ano Donyatsu virou anime, nada grandioso e com uma animação bem pobre, por se tratar de curtas de em média 2 minutos, lançados antes da exibição de filmes nos cinemas de Shinjuku. Até o momento foram lançados três curtas e bem, ainda não achei legendado, mas o original pode ser conferido no canal do Donyatsu no Youtube https://www.youtube.com/user/donyatsuCH?feature=watch. Embora eu não entenda nada, os dois primeiros curtas até que é possível interpretar sem a legenda.

Outro ponto de destaque é que figures e doces representando os personagens são aparentemente muito populares no Japão, algumas são realmente bem criativas e pra quem gosta de doces é uma boa pedida.

Finalizando, fica aqui a minha recomendação da vez, não espero e tenho certeza de que nem todos irão apreciar, mas se você gosta de algo descontraído sem muita pretensão, mas que instiga a curiosidade pelo certo grau de mistério gerado pela temática sci-fi, Donyatsu é uma boa pedida. O mangá encontra-se no capítulo 17 e o scan gringo que está cuidando da obra, é bastante pontual, então espero ser possível acompanhar o lançamento dos capítulos sem nenhum transtorno e devo dizer também que qualquer site de leitura de mangá online, gringo claro, você pode encontrar Donyatsu.


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