sábado, 2 de novembro de 2013

Especial de Halloween atrasado - Witches - Daisuke Igarashi


Bem, hora de minha postagem (atrasada) especial sobre o haloween, ou dia das bruxas como alguns podem preferir e nada mais apropriado nesta data do que falar, sobre o que? Bruxas! Sim, bruxas, feiticeiras, magas, como quiserem as chamar, e até o nome do mangá faz jus a data. "Witches" ou "Majo" no original, e qualquer um que sabe o mínimo de inglês sabe que isto literalmente significa "Bruxas", mangá este de alguém que já deu as caras por aqui, Daisuke Igarashi, que já escrevi um pouco sobre a obra Little Forest. Witches, creio eu, é ainda mais empolgante, de uma forma, como posso dizer... "mística". Mas não espere algo que te cause medo, esta não é a intenção da obra, no máximo você perceberá quantos arrepios podem gerar o medo do desconhecido, do que está além das meras potencialidades humanas.









Começar pelas considerações técnicas, Witches, de autoria de Daisuke Igarashi, como eu já havia dito, foi originalmente publicado pela revista Ikki, notável publicação de mangás direcionados à demografia seinen, sendo posteriormente encadernado em dois volumes, totalizando 7 capítulos. Vou até transcrever a sinopse do mangá que encontrei na web, eu não poderia dizer de forma melhor:

"Uma selvagemente imaginativa viajem nas profundezas das crenças humanas e nos mistérios do universo. A fantástica caneta de Daisuke Igarashi pode criar no papel qualquer coisa que ele possa imaginar, resultando em rabiscos caóticos, enlouquecidamente detalhados de pura maravilha. Você deve ler este mangá. Uma verdadeira celebração da imaginação humana. Quando emoções profundas vem a cabeça, a bruxa que habita no coração desperta, dando início aos maravilhosos contos. Witches ganhou o Prêmio de Excelência no Manga Division no Japan Media Arts Festival em 2004."

E eu particularmente também acho que você deva ler este mangá, talvez você se convença disto no final deste post, sei que é muita pretensão minha, mas assim espero, e não ganhou o prêmio citado acima por nada né.





Agora é bom eu esclarecer alguns pontos, não se trata de uma estória linear, mas um conjunto de one-shots, precisamente 2 estórias principais em cada volume e uma pequena para finalizar em cada um também, só ressaltando que a primeira estória são dois capítulos, por isso totaliza sete ao final.

Mas bem, você estará se perguntando, do que especificamente trata este mangá sobre bruxas? Vejamos, Daisuke Igarashi é reconhecido por ser um grande pesquisar de folclore japonês, mas nesta obra ele viajou o mundo, pelo menos sua caneta, a obra é uma "homenagem", se podemos chamar assim para as mais diversas variedades de feiticeiras espalhadas pelo folclore mundial. Em cada história somos mergulhados em um contexto único, mas já posso adiantar uma certa celeuma presente em todas as elas, o embate entre a técnica e a tradição, elas não são somente bruxas mas mantenedoras das tradições de seus povos, encantamentos, ervas e simpatias arcaicas que estão presentes no imaginário popular, um embate entre a "tecnologia" e a "magia" de forma bem singela, ou melhor dizendo entre civilização e cultura. E nem sempre eu as chamaria de "bruxas" por assim dizer, mas mulheres com um dom especial, pelo menos da maneira que o autor tenta expor seu argumento.

Por exemplo, no primeiro e no segundo capítulo somos transportados até alguma região do Cáucaso, onde uma garota é a portadora do destino não só de seu povoado nômade mas de toda a tradição milenar da região da Turquia, pois acho que certamente trata-se de Instanbul a cidade apresentada nesta estória. No segundo vamos diretamente a algum lugar na floresta amazônica, onde uma feiticeira indígena nutre todas suas intenções em impedir a destruição de seu povo e da floresta. Já na estória que inicia o segundo volume, somos direcionados a alguma região no norte da Europa, onde não só as tradições culturais estão em risco mas bem como todo o mundo. 

E por fim, não menosprezando o Japão, visitamos algumas ilhas dotadas de "propriedades" místicas, ressaltando o poder na natureza em criar áreas de escape sobrenaturais, de forma, como posso dizer, preponderar a importância do solo dos ancestrais. Bem, ao começar a ler Witches o leitor é automaticamente transferido à paisagens exóticas e místicas, onde você fica convencido que a magia pode realmente existir nestes lugares. Também não é pretensão manter Witches como um "estudo antropológico" uma vez que somos inseridos a diversos contextos étnicos, podendo perceber o quanto é magnífica a diversidade cultural.

Vou escrever um pouco sobre cada história, ou melhor, cada excerto, que é como o autor se refere para cada capítulo, então vamos lá.

Spindle

Nesta primeira estória seguimos a jornada de duas bruxas, as quais seguem seus próprios caminhos até convergirem no desfecho da trama, a primeira, uma garota chamada Shiral, que mora em uma tribo nômade na Turquia (ficamos sabendo que se trata da Turquia pelo fato da Hagia Sofia, a famosa catedral bizantina ser um ponto fundamental na trama.). Ocorre que esta garota é uma espécie de profetiza, um cargo transmitido pelas gerações de sua família, e ao ficar sabendo de uma profecia por meio de sonhos e de um tapete, isso mesmo, um tapete, para essa tribo a tapeçaria pode esconder mensagens místicas, então ela parte em uma viajem até a capital para encarar seu destino e descobrir mais algo sobre sua premonição. Uma viajem dura, ela não possui nenhum poder especial (aparentemente) e não tem experiência em grandes centros urbanos o que lhe põe em algumas enrascadas.







Do outro lado, temos Nicola, a única bruxa "má" por assim dizer, uma adulta já, em busca de uma vingança cega contra um bazar milenar da cidade. Bem, só que nada é por acaso, Nicola quando era mais jovem e estava em viajem na Turquia se apaixona por um mercador, no entanto não podem ficar juntos pela barreira cultural e religiosa que separa ambos, e Mimar, seu amado, prefere seguir com o legado do seu povo do que se submeter a um romance com uma estrangeira. Com isto Nicola resolve se vingar daquele lugar um dia, não sem antes se encontrar com uma velha bruxa que diz que ela tem potencial para ser uma bruxa. 

Então, ela estuda as mais diversas artes mágicas e se torna uma poderosa feiticeira, com um ego mais forte ainda e parte para por em prática sua vingança, destruir o bazar. Neste ponto ocorre algo que será o pano de fundo das histórias, a dicotomia entre o mundo material e o imaterial, a técnica contra a magia. Nicola se vale de diversos meios para por seu plano em prática, tanto como uma grande empresária que busca destruir o bazar pelos meios econômicos, como uma feiticeira buscando acordar um poderoso exército de demônios liderados pela comunhão de seu ódio juntamente com ódio milenar dos que sucumbiram na cidade, inclusive acordando do sono eterno o último imperador de Constantinopla, Constantino.








Aqui temos uma discussão interessante, o mosaico cultural que é Instanbul, diversos povos habitaram esta região, sempre claro, pelo fio da espada e derramamentde sangue, o que acabou gerando uma "mistura" dos deuses e culturas que iam sendo deixados para trás para dar lugar a novos aspectos, formando um grande mosaico cultural. Por exemplo, a Hagia Sofia, originalmente uma catedral fora transformada em mesquita pelos turcos, que modificaram alguns desenhos ali, outros ali para ficar compatível com o islamismo. 








Nicola acredita possuir a chave dos segredos do mundo, mal sabe ela que apenas conseguiu abrir a porta do quarto que limita o conhecimento humano quanto estes mistérios arcanos, mas nunca foi capaz de sair da casa para ver a realidade, pelo menos é isso que o mangá nos passa, inclusive pelos meios errados que ela buscou conhecimento, a vingança, não para crescimento pessoal mas apenas para satisfazer seus desejos mais primitivos, o que pode ter sido o seu maior erro. Já Shiral, autêntico produto do ambiente que ela vive, está totalmente integrada com a natureza e com suas raízes culturais a quais foram sendo moldadas durante milênios que a sua tribo deve ter vagado pelo deserto.




Aqui da para adentrar um pouco na psicologia de Jung no que diz respeito ao inconsciente coletivo, onde todos possuem memórias da vivência de seus antepassados, notadamente pelos aspectos culturais do seu grupo étnico, dando a Shiral vantagem sobre qualquer ameaça estrangeira, tanto é que Nicola é incapaz de entender o que move a existência do bazar, que é outro fruto milenar de Instanbul, antigamente conhecida como Constantinopla. Por ser uma one-shot os personagens são levemente desenvolvidos, é algo totalmente compreensível pelo tamanho da obra, mas nada que prejudique a apreciação da mesma.





Já no começo somos transportados para uma atmosfera oriental, ou nem tanto, pois é onde o ocidente se une com o oriente, com alguns toques europeus caracterizados nas tribos caucasianas, uma mescla entre a vida cosmopolita e a vida tradicional.








Kuarupu

Agora somos levados para a floresta amazônica, em algum lugar incerto, talvez Brasil? Quem sabe. Fui pesquisar quanto ao termo Kuarupu, e o mais perto que consegui chegar foi aos termos quarup e kuarup, os quais significam a mesma coisa, um ritual derivado de uma madeira com este nome, no qual as aldeias do alto Xingu celebram a despedidas dos mortos, então isso reforça ser no Brasil, uma vez que o Xingu fica no Mato-Grosso. Este ritual, segundo suas crenças, foi instituído pelo Mawutzinin, um espécie de deus e também primeiro ser humano que criou os demais e certa vez tentou ressuscitar seis pessoas mortas com os troncos de kuarup, mas o processo deu errado porque um índio curioso foi bisbilhotar antes de terminado o ritual, o que impediu a transformação dos troncos nos mortos. Mawutzinin irritado disse que não ressuscitaria mais ninguém e esta data seria comemorada com uma festa. Enfim, um nome bem simbólico para este excerto e que tem importância no decorrer da narrativa.








Bem, voltando para a obra, novamente temos uma bruxa, ou melhor dizendo xamã, em busca de vingança, mas não uma vingança pessoal, mas uma vingança coletiva, em virtude da destruição de sua tribo. Tal xamã chama-se Kumari, a qual possui o poder dos espíritos da floresta a fim de buscar sua vingança. Até é relatado que é a primeira vez que uma xamã treinada não usa seus poderes para curar, mas para amaldiçoar.




Mas porque tanto ódio? Novamente esta estória volta ao tema central, modo de produção capitalista pós-moderno contra as comunidades tradicionais, para os grandes latifundiários avançarem com suas plantações de monoculturas e suas gigantescas criações de gado, as florestas e os habitantes delas tem que aceitar tal situação, abandonando suas aldeias e aceitando o modo de vida imposto, mas é especialmente doloroso para Kumari que teve seu marido morto.









Neste contexto, nos é mostrado a aldeia indígena massacrada por guerrilheiros em conluio com o líder dos xamãs, o qual, obviamente tentou convencer os demais indígenas a aceitarem seu destino, no entanto, nem todos aceitam as coisas tão facilmente. Só que resta um problema, uma barreira mágica existente na floresta, uma forte neblina ancestral, na qual habitam os espíritos e atualmente a xamã Kumari, que mata qualquer um que adentre seu território. No entanto, o mundo moderno joga extremamente pesado para esta poderosa xamã poder suportar. Detalhe para o humor negro das últimas páginas, quem ler saberá.



Birdrider witch


Uma pequena estória de apenas dez páginas que serve como um prelúdio do próximo excerto, onde nos é apresentado um personagem relevante, um padre que investiga manifestações "mágicas", mas não pensem que seja um inquisidor cruel ou algo do tipo. É um sujeito inteligente que considera todas as possibilidades, como no caso desta estória, sobre um homem que diz que sua irmã que morreu é uma bruxa e vem montada num pássaro contar-lhe coisas e só ele pode ver, inclusive foi tido como um caso de possessão, mas este padre o manteve como um caso de premonição, e uma premonição sobre uma certa pedra, objeto essencial do próximo capítulo.




Petra Genitalix


Mais um título curioso, Petra Genitalix, do latim, como posso traduzir isto.... algo como pedra genital, isso fica melhor explicado posteriormente. Agora vamos para uma região do interior da Alemanha onde mora uma bruxa, Mira, e sua pequena aprendiz, Alicia, que possuem a habilidade de "ler" a natureza, a posição de uma rocha, as plantas, o clima, tudo como presságios de bons ou maus augúrios Segundo Mira é muito mais vantajoso ler o canto dos pássaros, os uivos dos lobos, os troncos das árvores do que livros de magia. A estória também é contada de modo diferente das demais, começa com o evento principal da trama e volta ao passado em uma contagem regressiva até tal evento.







O que motiva esta estória? Vejamos, novamente tem o dedo da tecnologia, pois bem, é enviada uma missão ao espaço, estava tudo dando certo quando um meteorito acerta o capacete de um astronauta, imediatamente a missão é abortada e eles voltam para a terra. Contudo, este foi um grande erro, pois aquilo não era uma pedra qualquer, mas a Petra Genitalix, e o que diabos é esta pedra? Agora devemos adentrar na história da Terra. Houve em um certo momento um evento chamado de explosão cambriana, à uns 530 milhões de anos atrás, com surgimento de uma grande diversificação de organismos vivos. Mas o problema é que isto é literalmente uma pedra no sapato dos evolucionistas. Eu não sei como andam as pesquisas mais modernas, mas durante um bom tempo os cientistas ficaram perplexos com este evento, pois mais ou menos do "nada" as espécies vivas se multiplicaram nos mais diferentes tipos, sem uma sequência evolucionaria tradicional. 









Assim sendo, o que causou a explosão cambriana? Pelo menos neste mangá foi essa pedrinha. Bem quando tiram a pedra do capacete algo acontece, tudo em volta cria vida e se tornam seres mais estranhos possíveis, carros, prédios, objetos, tudo se torna orgânico, pois é uma pedra de outro planeta e causa um distúrbio na ordem natural da Terra. Tanto é que se uma pedra da Terra fosse para este planeta aconteceria o mesmo. Então percebe-se que foi essa pedra que ocasionou a explosão do Cambriano, e o único jeito de conter a mutação antes que modifique toda a Terra é expulsá-la do planeta, e como fazer isso se todos que se aproximam dela são transformados, inclusive humanos. Só uma feiticeira possui tal poder.




Tanto é que o padre da estória anterior as procura, e fica sabendo que elas já sentiram em seus corpos e mentes o que acontecerá, no caso, o evento com a pedra. Agora somos transferidos a um embate religioso, a Igreja se vê forçada a aceitar a ajuda da bruxa para poder salvar o mundo.






Como sempre, o contexto cultural apresentado por Daisuke Igarashi é muito bem trabalho, como por exemplo, as festividades de krampus, que é uma figura mitológica muito curiosa, acompanhava São Nicolau, ou Papai Noel para quem preferir, na entrega de presentes, só que ele era uma figura demoníaca que punia as crianças malvadas, que pena que sua figura não é mais explorada atualmente, seria muito divertido, ou não... Também é digno de nota o ritual das doze noites, onde os moradores das residências dormem no estábulo, por exemplo, e deixam espíritos dos mortos aproveitarem as residências, com fartura de comida, fogo na lareira e tudo mais que um hóspede tem direito.







Thief of songs

A última grande estória desta antologia, agora vamos para o litoral do Japão, em uma viajem idílica pelas suas ilhas. Bem, não há uma bruxa propriamente dita como tal, mas alguém que consegui escutar a voz da natureza e descobrir seus segredos. 







Continua sendo repassada a mensagem da natureza como fonte inesgotável de poder, e todas as coisas possuem seu ritmo, cada célula, cada átomo, tanto é a origem da parava ritmo do grego antigo, é o movimento das partículas primordiais. Portanto se cada célula do seu corpo não estiver acordada você não está realmente vivo.  




Nesta estória temos um casal de colegiais que resolvem viver uma aventura, roubam dinheiro e embarcam em uma viajem de navio, onde encontram uma misteriosa mulher em busca de si mesma. Isto começa a atrair a garota colegial, Hinata, a também encontrar ela mesma, bem, só que já existe um lugar especial para isso, uma ilha virgem, onde é possível ouvir a canção do mundo, e Hinata faz uma promessa para a mulher que ela não levará nada da ilha para o mundo exterior, e bem, ela quebra a promessa ao experimentar tal experiência epifânica, com efeitos muito graves.





Beach


E por fim, mais um pequeno capítulo abordando o folclore japonês, e com certeza é a estória mais absurda de todas. Uma menina perdeu seu gato e procura desesperadamente por ele, quando ela acaba por encontrar uma praia cheia de lixo uma vez que tudo que é descartado é levado pelo riacho até lá, onde uma velha senhora resolve ajudá-la com resultados muito estranhos, retirando muitas coisas estranhas da boca! E coisas grandes! A menina volta para sua casa e encontra seu gato e vai conversar com sua avó, e após a conversa sobre a praia ela aprende sua verdadeira natureza, ou seja, uma alegoria sobre a morte.



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Bem, só me resta fazer alguns apontamentos técnicos, a arte de daisuke Igarashi é única, ele utiliza traços simples (não tão simples quanto os usados em Little Forest) que destacam uma preocupação com a realidade, o que lhe diferencia dos demais mangakas, sendo cheia de expressividade e combinando perfeitamente com  a proposta da obra. Os personagens são cativantes, embora não haja espaço para um desenvolvimento mais apurado. Como já havia dito, Daisuke Igarashi transporta o leitor aos mais diversos lugares do planeta, cheios de cultura e mística palpitantes, é uma grande experiência estética sua leitura. Por fim fica mais que recomendada a leitura deste mangá, aproveitem. Ahh você pode não acreditar em bruxas, mas que elas existem elas existem, como já bem dizia o ditado.

Deixo uma citação que casa bem com a proposta do mangá, de Dominique Venner, um dos maiores historiadores que existiu e que deixou o mundo recentemente, suicidando-se na catedral de Notredame, justamente por não mais suportar a degeneração cultural que assola o mundo:

"Todas as grandes civilizações descansam sobre uma antiga tradição que atravessa o tempo e transporta com ela as chaves do reino. Todas têm por origem o livro ou a palavra de um sábio, de um profeta ou de um poeta fundador. A tradição chinesa com Confúcio, a tradição himalaia com Buda, a semita com Moisés e Maomé, a tradição hindu com os Vedas, a tradição europeia com Homero. A tradição não ensina a construir um computador. Revela os princípios de perpétuas regenerações. Saber que se é filho de Ulisses e Penélope e não de Maomé, Abraão ou Buda, não é indiferente.
Os homens só existem pelo que os distingue: clã, linhagem, história, cultura, tradição. Não há uma resposta universal às questões da existência e do comportamento. Cada povo dá as suas respostas, sem as quais os indivíduos, homens ou mulheres, privados de identidade e de modelos, são precipitados numa perturbação sem fundo. Como as plantas, os homens não podem prescindir de raízes. Mas as suas raízes não são apenas as da hereditariedade, às quais se pode ser infiel; são também as do espírito, isto é, da tradição que cabe a cada qual reencontrar."

Dominique Venner
in "O Século de 1914. Utopias, Guerras e Revoluções na Europa do Séc. XX", Civilização Editora (2009).




Capas dos dois volumes:



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