sábado, 24 de maio de 2014

H. R. Giger - Por dentro dos horrores biomecânicos.




Ainda não é uma resenha nem nada, infelizmente, como já tratei em outras oportunidades, estou bastante atarefado, mas, em breve esta situação melhorará, agradeço a paciência dos poucos leitores que este blog possui.

Esta é uma postagem que fugirá um pouco do habitual, por não se tratar de um artista japonês, mas acho que tenho o dever de homenagear um dos maiores artistas plásticos da atualidade, Hans Ruedi Giger, que morreu no dia 12 deste mês, aos 74 anos, vítima de consequências advindas de uma queda que sofreu nas escadas de sua casa.

A morte de Giger foi exibida nos noticiários, portanto, creio que quase todo mundo já deva saber do ocorrido, então para aqueles que, porventura, não conhecem sua obra, criei esta postagem.

H. R. Giger foi um artista surrealista suíço, no campo da pintura, escultura, decoração e cinema, e que se tornou famoso por ser o criador do design do alienígena no filme Alien de 1979, de Ridley Scott, bem como de seus cenários e objetos cênicos, o que lhe rendeu um merecido Oscar de efeitos visuais, Alien sem dúvidas é um dos marcos do terror científico, que não seria o que foi sem o trabalho de Giger, é impossível pensar em alienígenas sem lembrar de sua criação. Giger também trabalhou em diversos filmes, como o nunca completado Dune de Jodorowsky, Poltergeist II, Alien III, A Experiência, etc.

Seus primeiros trabalhos eram feitos com pincéis e tinta a óleo, bem como algumas esculturas, mas ganhou reconhecimento por sua hábil técnica no uso do aerógrafo, ao longo de sua vida, além dos trabalhos em exposição, lançou diversos artbooks de suas obras, bem como fez artes em capas de discos para diversas bandas, até mesmo instrumentos musicais e microfones foram criados por ele, além de vídeo-games e trabalhos no campo da arquitetura, como alguns bares temáticos espalhados pelo mundo.

A arte de H.R Giger é bastante característica, lembra o ero-guro japonês, uma mistura do erótico e o grotesco que é a marca de sua vasta obra, outros elementos são sempre presentes em suas obras, como o conceito criado por ele, da arte biomecânica, a qual mistura elementos humanos, ou meramente orgânicos com máquinas, circuitos eletrônicos, válvulas, equipamentos pneumáticos, etc, com a já mencionada conotação sexual bem forte em alguns casos, a simbologia fálica é bastante reconhecível, alguém já deve ter reparado que a cabeça do alien é um grande pênis. O profano também está bastante presente em suas obras, as quais zombam de certa forma da humanidade, em seu universo inorgânico ausente de sentimentalismos e valores humanos. As paisagens sempre são destituídas de vida, industriais, mecânicas, de uma magnitude aterradora.

É de ser imaginar uma certa influência lovecraftiana, e realmente ela há, esse horror científico de sua obra já seria motivo suficiente para relacionar Giger e Lovecraft, mas Giger faz questão de exibir sua influência, como no caso de sua série de artbooks nomeados de Necronomicon, que é um grimório fictício presente nas obras de Lovecraft, onde são descritos numerosos rituais para ressuscitar mortos, invocar entidades cósmicas, viajar por dimensões, etc.

Outro ponto interessante é de onde H. R. Giger tira sua criatividade, certamente da maior fonte de inspiração que o homem pode alcançar, os sonhos, mas no caso de Giger, de seus pesadelos, segundo o próprio, por desde sofrer de terríveis pesadelos, encontrou no desenho a forma de superá-los, ou melhor dizendo, de conviver harmoniosamente com eles, utilizando-se deles como combustível de seu processo criativo.

Bem, deixo para vocês um pouco da obra de H. R. Giger, espero que desfrutem, e até uma próxima:































































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