sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Iron Virgin Jun. O Conto da Princesa Maromba



Hoje o blog apresenta uma animação, voltando ao início dos saudosos anos 90 com um OVA muito bem humorado e surreal baseado na obra do mestre e pioneiro dos mangás e animes Go Nagai. Iron Virgin Jun, onde a protagonista além de ser uma doce e delicada herdeira de uma família rica, é uma fisiculturista com uma força e músculos enormes e que defenderá sua virgindade a qualquer custo!


Iron Virgin Jun (Tetsu no Otome Jun no original) é um daqueles OVAs que eram bem comuns na metade dos anos 80 e início dos anos 90, sendo uma adaptação do mangá Tetsu no Shojo Jun, de autoria de Go Nagai. O OVA foi lançado em 21 de julho de 1992 produzido pela Dynamic Planning, que é a produtora oficial das adaptações das obras de Go Nagai.

Para quem não conhece Go Nagai, ele é um dos pioneiros da história do mangá ao lado de Osamu Tesuka. Mesmo que você não conheça nenhuma obra dele, ele foi o responsável pela criação do gênero mecha, sendo o primeiro artista a desenhar um robô gigante com um cockpit para o piloto em Mazinger Z. Go Nagai também levantou o fundamento de muitos outros gêneros populares hoje como comédias eróticas e horror. Suas obras mais famosas são Mazinger Z, Devilman e Getter Robo.




Iron Virgin Jun não é nem de perto uma das suas obras mais famosas, nem uma das suas melhores, mas representa um estilo de histórias que marcou a carreira de Go Nagai por um bom tempo, as comédias eróticas. Com Iron Virgin Jun não é diferente, se bem que o OVA teve em comparação com o mangá uma boa delapidação de seus elementos eróticos mais pesados. Bem como, mesmo sendo uma adaptação de uma obra pré-existente, o OVA apenas pegou os elementos principais do mangá, sendo que é uma obra praticamente distinta, ressalvando, claro, as linhas gerais do enredo. E já adianto, os elementos non-sense do OVA superam em muito os do mangá.

O enredo é basicamente o seguinte, Jun Asuka é a única herdeira do grande conglomerado empresarial da família Asuka, a intenção de sua mãe é forçá-la a se casar por conveniência com algum jovem milionário para que perpetue e aumente o poder do conglomerado Asuka, organizando uma festa para escolher o futuro marido da filha. No entanto, Jun não está nem um pouco com vontade de se casar, quer lutar por sua liberdade, e virgindade.




Jun resolve então fugir de casa na noite da festa, auxiliada por sua grande força, que é uma herança passada geneticamente para as mulheres da família Asuka, e pelo seu fiel e mirrado criado particular. Além de não querer casar, Jun também não está interessada em homens, muito menos quer manter qualquer tipo de relação com um no momento.

Ocorre que sua mãe nunca deixaria Jun fugir do dever matrimonial e monta um gigantesco aparato de busca para encontrar a filha, utilizando métodos nada ortodoxos, como ninjas, samurais, metralhadoras e pelo mais incrível que pareça, uma gangue especializada de estupradores, que é um dos pontos mais bizarros da animação.




Mas o que há de bom nesta animação? Difícil dizer, o humor talvez, mas nada que faça quem estiver assistindo morrer de dar gargalhadas. O que mais me chamou a atenção em Iron Virgin Jun foi justamente os aspectos non-sense, não o excesso de gargalhadas, mas sim aquela expressão "mas que diabos é isso?". O OVA não espera a história se consolidar para jogar na cara de quem estiver assistindo um grande número de maluquices, é tudo muito abrupto, se bem que isto é necessário, por ser uma animação de mais ou menos 40 minutos de duração.

O primeiro aspecto que chama a atenção para assistir a animação é claro, a própria protagonista, o aspecto contraditório de sua aparência física/personalidade. Uma menina com uma personalidade doce, pura e que não conhece as "maldades" do mundo, praticamente uma princesa dos contos de fada, seja nos modos de agir como na maneira de se vestir, mas marombada!




Tal aspecto aparentemente não convencional chama bastante a atenção, mas devo dizer que músculos e feminilidade não são inimigos, embora a imagem de mulheres muito musculosas que temos é de um aspecto masculinizado, nem todas as mulheres que se dedicam ao fisioculturismo perdem sua feminilidade. Claro, que outro aspecto da protagonista que chama a atenção é a defesa de sua virgindade a todo custo, e, embora ela continuamente tenha sido alvo de tentativas de estupros, não é qualquer homem que conseguiria forçar ela para fazer algo que não queira.

Logo no início do OVA, damos de cara com muitas cenas bizarras, ao contrário da Jun, que embora musculosa é muito bonita e delicada, sua mãe é totalmente o contrário! Sim, ela possui a mesma característica da filha, músculos e uma força invejável, mas no entanto ela parece mais a versão drag queen do Arnold Schwarzenegger vestida de rainha! E o marido? Um velhinho simpático sem grandes atributos físicos, que visivelmente fica do lado da filha mas possui o juízo de não bater de frente com a esposa, é fácil saber quem domina a relação...

Delicada mãe da Jun...

Ainda mais que no decorrer da animação, vemos que as mulheres da família Asuka precisam sugar a energia vital dos homens para manter a força. E a festa que a mãe da Jun busca achar um marido pra ela? Nunca vi tamanha ostentação! Onde já se viu servir uma baleia inteira no jantar! Tudo é extremado o máximo possível! O dos pretendentes da Jun se mostra um idiota, para ressaltar que nada passa de um casamento arranjado visando questões monetárias.

A festa por si só já é bizarra, mas tudo fica ainda mais maluco com a fuga da jovem Jun. Esse OVA não dá pra ser levado a sério! A mãe organiza uma busca desenfreada pela filha e para isso manda assassinos a capturarem! Com espadas, armas e etc! Ela quer matar a filha ou trazê-la de volta? Ainda bem que Jun é versada em artes marciais. O OVA por si só é um espetáculo de luta livre, Jun executa muitos golpes famosos em seus adversários, como arremessos, chaves, entre outros. É hilário quando esta se utiliza do clichê de forçar os músculos até o ponto de rasgar a roupa!


Ostentação levada aos limites...


Não conseguindo convencer a filha de se casar a mãe de Jun resolve fazer algo totalmente NORMAL. Contratar uma gangue de lutadores que também são estupradores nas horas vagas para forçar Jun a ter uma relação sexual, para assim convencê-la que o casamento será bom em virtude do sexo. Não irei nem comentar sobre os problemas de um plano como esse, sejam de ordem prática ou ética. Mas até ai tudo bem, o problema é a gangue!

Todos os membros da gangue utilizam próteses mecânicas na região do pênis! Algumas com formas animais como gansos e dragões e até mesmo uma furadeira! Sim, uma furadeira! É totalmente bizarro a tentativa de estuprar Jun com um pênis falso giratório.... O pai da Jun também protagonizou momentos hilários, como quando acertou uma flecha na bunda de um dos abusadores de sua adorada filha.



Mas o enredo, ele é consistente? A história é plausível? A resposta é negativa, somando as bizarrices narradas acima há ainda outros pontos igualmente ou ainda mais surreais. Acontece que a mãe da Jun não era má por natureza, ela estava sendo controlada pelo fantasma da mãe! O pai da Jun logo descobriu que o problema era a sogra! Sim, sempre a sogra! A sogra era literalmente uma bruxa que estava controlando a filha para forçar Jun a se casar. Ai entrou a parte "vampiresca" do OVA para por fim às maldades da avó de Jun. Tudo culminando na luta final entre mãe e filha.

Mas há outras subtramas neste surreal OVA. Jun possui uma tia, que é odiada pela mãe de Jun, pois casou por vontade própria. Essa tia deixa tudo ainda mais sem sentido, pois além de ser irrelevante para a história causa muitas contradições. Primeiramente, ela não é forte nem bombada, o que quebra a regra de que todas as mulheres da família Asuka são muito fortes, mas ela é muito rica, e nem mesmo assim conseguiu o perdão da irmã.


Sem comentários quanto a isso...

Bem, tal tia só serviu para despertar um pouco de força de vontade em Jun no sentido de buscar sua própria felicidade e ser livre. E a parte mais bizarra, ela mora numa ilha que nem todos podem ver, só quando estiverem preparados, não me pergunte que preparo é este. No entanto, a adição desta "ilha" foi totalmente inútil e dispensável à trama, embora se possa fazer especulações no sentido de que a ilha é meramente a liberdade que Jun buscava, que antes era meramente um sonho que não podia ser alcançado.

A relação entre Jun e seu fiel criado Kratta também é bastante relevante na história, percebe-se de imediato que o jovem é o único que se preocupa realmente com os sentimentos de Jun e suas aspirações por liberdade, mas, infelizmente a relações dos dois não foi desenvolvida como se esperava, no mangá culmina em romance, com insinuações em toda obra, no OVA não passa de uma amizade oriunda de sua atividade profissional devotada em relação à Jun. Ele no OVA também ficou maior e conseguiu ser mais alto que Jun, embora, claro, fisicamente muito mais fraco.  Outro detalhe relevante é que Jun na animação utiliza a peruca loira, sendo que a retira ao longo da animação, já no mangá ela sempre foi loira.



Fora a surrealidade constante da animação há ainda momentos nitidamente mais sérios e simbólicos, que nos fazem refletir sobre a condição de Jun, por exemplo, embora sua perícia em artes marciais e músculos bem torneados, nem ao menos sabia que uma maçã poderia ser comida com a casca, devido a sua vida de princesa. Bem como, a relação de Jun com a mãe, quando Jun percebe que sua mãe não é verdadeiramente má, mas sim foi manipulada pela sua avó. Claro, ela ficou realmente chateada e triste quando sua filha e sua irmã fugiram de casa, pois sempre levou uma vida solitária e por vezes infeliz para perseverar a reputação e o poder da família Asuka.

No que concerne os aspectos técnicos da animação, lembremos que é do começo dos anos 90, então é algo condizente com a época, e como não foi uma grande produção, fica no patamar das animações medianas da década de 90, nada mais, nada menos. O design dos personagens também é o característico da época, sendo ainda mais puxado para as décadas de 80 e 70 pelo fato de Go Nagai ser um artista da velha guarda, mas os personagens são bem carismáticos, Jun ficou bem bacana e a gangue dos pênis falsos ficou muito divertida.



Por ser um OVA de mais ou menos 40 minutos o desenvolvimento dos personagens é bem limitado, o que é esperado e não pode ser apontado como um elemento negativo da obra. Já quanto o desenvolvimento do enredo lembremos que é uma non-sense cheio de elementos malucos e bizarros, mas mesmo assim se propõe a contar uma história, a fuga de Jun Asuka que não queria casar forçadamente, e neste aspecto não foi muito bem trabalhado e concluída a obra. A dublagem também possui uma qualidade questionável. A trilha sonora é bastante genérica, nada memorável.

O excesso de elementos que aparentemente seriam importantes e fariam a diferença mas acabam sendo inúteis e descartáveis como a ilha onde mora a tia poderia ter sido mitigado, ocupando o tempo da animação com material mais construtivo.  A parte final com a descoberta da manipulação da mãe pelo fantasma demoníaco da vó fugiu muito do objetivo geral da obra, e mesmo sendo um anime cheio de bizarrices, ficou um pouco fora de contexto. Quanto as cenas de ação, foi a melhor coisa do OVA, claro que não é um primor de animação, mas as cenas de lutas no contexto bem humorado e maluco da obra chamaram bastante a atenção.




E agora o mais importante, Iron Virgin Jun é uma boa animação? Vale a pena assistir? Para a primeira pergunta posso responder que Iron Virgin Jun nos aspectos técnicos deixa a desejar, bem como no que concerne à qualidade do enredo, sim, é bem meia-boca. O que salva são as partes de ação e humor e alguns outros elementos malucos da trama. E em relação a segunda pergunta, é uma animação bastante divertida, fiquei bastante entretido enquanto assisti, é para aqueles que não nutrem grandes expectativas quanto à qualidade técnica.

Fica por aqui mais esta postagem, espero que aproveitem, até uma próxima.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...